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Informativo
Ensinar a Viver: o grande objetivo das artes marciais - Prof. José Gomes Lemos
No dias 11 de agosto, tivemos o desprazer de ler no jornal Diário Popular um amigo denominado
"Ensinar a Matar", assinado por Mônica Waldvogel. A jornalista, no mínimo ignora sobre o que escreve, isto
é, sobre o que se faz nas academias de artes marciais e de lutas esportivas. Sob o pretexto de condenar a
ação de um grupo de jovens assassinos de Brasília a jornalista investe contra as antes marciais, contra pais
que incentivam seus filhos a praticá-las contra mestres e instrutores e, indistintamente, chama a todos de
criminosos ou pais fracassados que incentivam os filhos a praticarem "a bestialidade das lutas" (palavras
da articulista).
Ela não faz distinção alguma. Confunde, talvez propositadamente, o joio com o trigo. Propõe
simplesmente, que seja cassado o direito de funcionamento das associações a academias de antes marciais a
lutas. Ela não estabelece qualquer diferença afirma que Arte Marcial e escola do crime e que todas as
academias precisam ser fechadas porque "ensinam a matar". Expresso aqui o profundo sentimento de tristeza por
ver uma pessoa de nível universitário - obrigada a informar a verdade por juramento - escrever sobre algo
que desconhece. Se pelo menos se dispusesse a pesquisar em nossas academias, em qualquer parte do mundo,
o que ali é ensinado, por certo mudaria de opinião, não se confundiria e também não procuraria confundir
a opinião pública.
Escolas de crimes existem espalhadas por este Brasil afora, mas essas não são as academias de
artes marciais. Certamente há pais que por seus desajustes nos lares e na sociedade não cuidam devidamente
da educação dos filhos. Esses desajustes podem produzir esses criminosos declarados ou em estado potencial.
Entretanto esses pais não somos nós que incentivamos - como no meu caso - filhos, netos a esposa a praticarem
uma ante marcial. Não somos os pais fracassados citados pela articulista. Somos em total a absoluta maioria
seres que zelam pela formação intelectual, física moral e espiritual de nossos filhos e dependentes. Diante
de uma sociedade que nos conduz para uma vida insegura e estressante, buscamos boas escolas de artes marciais
para cooperar na formação de nossos filhos, inclusive na formação do físico, com plena consciência de que a
defesa pessoal não está localizada na capacidade de lutar corpo a corpo, mas muito mais na defesa da saúde
da tranqüilidade, da obtenção do equilíbrio emocional, da capacidade de observar, medir e decidir com justiça
os mais intrincados problemas nas mais difíceis condições. As artes marciais se prestam a auxiliar nas obtenções
desses objetivos.
Se há escolas de artes marciais que educam para matar - não creio na existência delas - devem receber
a repulsa da sociedade a pagar por seus crimes. As Federações e Associações do Sistema Nacional de Artes Marciais,
têm Estatutos, regulamentos e códigos de ética que punem severamente irregularidades praticadas por suas filiadas.
Os mestres, professores e instrutores têm a vida investigada e em geral passam por uma formação longa, com severas
exigências quanto à formação técnica e dotes morais a espirituais.
Seria interessante que a jornalista meditasse sobre o seguinte: um artista marcial passa milhares de
horas nos dojos, repetindo infinitamente os mesmos movimentos ao longo da vida. O que busca ele? Será que seu
objetivo e matar? Não. Seria mais fácil usar um revolver ou uma faca. Porque teriam aqueles pais fracassados
mandando seus filhos para aulas de artes marciais? Com o objetivo de transformar seus filhos em criminosos?
Creio que não seriam necessárias tantas palavras para apontar e esclarecer as mentiras escritas na
referida matéria. Só nos alongamos porque nos sentimos injustiçados pelo artigo publicado no Diário Popular. A
resposta seria muito simples: para os criminosos a punição de acordo com as leis.
Termino transcrevendo pensamento de O' Sensei Morihei Ueshiba: "O caminho do guerreiro a baseado
no humanismo no amor e na sinceridade. Enfatizar o aspecto físico das Aries Marciais é futilidade, porque os
poderes do corpo são sempre limitados".
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